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Prisão de Lula: assistimos hoje a geração de uma mito no país dos absurdos

 Prisão de Lula: assistimos hoje a geração de uma mito no país dos absurdos
Não deixa de ser compreensível que da sua pequenez Moro não perceba a grandiosidade do seu inimigo proferido. ém, a sua ignorância não o salvará do implacável julgamento da história.

Carlos Fernandes, DCM

Das atipicidades de se viver no Brasil, talvez a mais curiosa delas é a de que não importa o quanto a lógica democrática e soberana nos aponte um setentrião, somos sempre surpreendidos pelas idiossincrasias do imponderável.

S resultado do julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula decretado pelo plenário do STF obedeceu rigorosamente a essa nossa espantosa inclinação pátrio para o que não é correto, justo e probo.

Ainda pior do que se estivesse à deriva, a presidente da suprema namoro Cármen Lúcia fez questão de guiar a grande barcação da justiça brasileira para os desfiladeiros da incompreensão, da arbitrariedade e da discórdia.

Mesmo com toda uma Constituição a iluminar o caminho a ser tomado.

Sua “estratégia” de pôr votação o HC antes mesmo das Ações Declaratórias de Constitucionalidade – que repousam inertes nas prateleiras poeiradas das conveniências políticas – venceu menos pela astúcia do que pela medo vexatória da ministra Rosa Weber.

Ninguém ignora que foi a manobra procedimental da presidente do STF que edificou o prédio do qual a justiça se prostraria ao topo e à margem. Fazia-se necessário, entretanto, que alguém a purrasse. A despeito de suas alegadas convicções, Weber cumpriu com primor o papel de carrasco.

Montado o grande cenário para mais um ato da eterna tragédia brasileira, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente mais muito estimado de nossa história, responsável direto pela retirada de mais de 36 milhões de brasileiros da miséria, recebe o seu lição por ousar transformar uma colônia pátria.

Enquanto o mundo assiste incrédulo o flagelo imposto pela escol branca pátrio ao varão que desordenou o formato da pirâmide social do país e colocou o Brasil no auge das relações internacionais, a classe média tupiniquim comemora a iminente prisão de sua única chance de permanecer porquê tal.

Já na putrefata classe política, o PSDB, bojo de icônicas figuras porquê Eduardo Azeredo, Aécio Neves, José Serra, Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin e FHC, todos livres e inimputáveis, emite nota afirmando que “o exemplo vem de cima e o Supremo fez a sua secção”.

Na esfera militar, acalmados porquê bestas que recebem o seu sacrifício de tempos tempos, os velhos de verdejante-oliva retornam, por enquanto, às suas casernas. Pelo menos por ora, a soberania pátrio voltou a ser tema de quinta categoria. Isso os satisfaz.

Produtores, autores e atores de significância inquestionável no circus brasilis, a grande mídia brasileira estoura os espumantes mostrando que limitar-se a informar seu público é para os fracos, cá, nessa terreno de oportunidades milénio, os fatos são mercadorias facilmente produzidos ao paladar do freguês, que, obviamente, não é o povo.

Jogado o jogo da política no campo furado do judiciário, o maior beneficiário da pelada é um fascista inconsequente com severos transtornos de personalidade que não vê a hora de minimizar o brasão republicano mais uma mera estrela na bandeira dos Estados Unidos da América.

Sergio Moro, o juiz escalado para definir a partida pelos seus próprios meios, não economizou no jogo sujo. Fantoche de interesses infinitamente maiores e mais obscuros, decreta a prisão do maior líder político da América Latina desconhecendo o que viria a ser uma única prova que sustentasse a sua decisão.

Cego e inebriado pelo poder que lhe prestaram, não sabe, porém, que com a sua injustiça está contribuindo para a construção de um verdadeiro mito.

A injusta e escandalosa prisão de Lula sob o olhar conluiado de todo o Poder Judiciário completa o último item que faltava para a sua biografia para pô-lo ombro a ombro com líderes internacionais da envergadura de Mandela, Gandhi e Martin Luther King.

Não deixa de ser compreensível que da sua pequenez Moro não perceba a grandiosidade do seu inimigo enunciado. ém, a sua ignorância não o salvará do implacável julgamento da história.

Não tardará muito para que Lula, sobrevivente a toda sorte de desrespeitos e ilegalidades que sofrera desde a sua puerícia, entre para o eterno rol de heróis mundiais enquanto Moro perecerá inerte e impotente na escura e gélida catacumba do esquecimento.

A ninguém é oferecido o recta de duvidar, assistimos hoje, de maneira incontornável, a geração de uma mito histórica forjada no país dos absurdos.

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Fonte:Pragmatismo Político


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