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Policial militar é denunciado pela morte da moça Ágatha no Rio


A pequena foi atingida dentro de uma Kombi quando voltava de um passeio com a mãe, em 20 de setembro, no Multíplice do Germânico

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o policial militar Rodrigo José de Matos Soares, 38, pela morte da moçoila Ágatha Félix, 8. A pequena foi atingida dentro de uma Kombi quando voltava de um passeio com a mãe, em 20 de setembro, no Multíplice do Teuto (zona setentrião carioca).

O PM foi denunciado por homicídio doloso (premeditado) qualificado, “por motivo torpe [fútil] e mediante recurso que dificultou a resguardo das vítimas, em momento pacífico na localidade, com movimentação normal de pessoas e veículos”. A pena para esse transgressão varia de 12 a 30 anos de prisão.

A Promotoria pediu que a Justiça suspenda a autorização do agente para o porte de arma de lume e o afaste das ruas, o que já foi feito, segundo a Polícia Militar. Também solicitou que ele seja proibido de ter contato com as testemunhas, compareça de tempos em tempos ao pensamento e seja impedido de viajar.

A denúncia segue a epílogo do interrogatório da Polícia Social, entregue dois meses em seguida o caso. Segundo as investigações, o cabo Soares, que trabalhava na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da região da Fazendinha, atirou quando dois homens passaram de moto em subida velocidade ao lado da Kombi.

Ele, porém, errou. O projétil bateu em um poste, se fragmentou, passou pelo banco traseiro e atingiu as costas de Ágatha. Eram murado de 21h30 de uma sexta-feira e a rua estava movimentada.

“O resultado morte em relação às duas pessoas não identificadas supra mencionadas, vítimas que o denunciado pretendia ofender, somente não foi consumado por circunstâncias alheias à sua vontade, tendo em vista que os disparos efetuados não lograram atingir as referidas vítimas”, diz a denúncia.

O policial afirmou que agiu em legítima resguardo e revidou tiros vindos da moto –divergindo da versão inicial da própria PM, de que os agentes teriam sido atacados de diversos pontos da comunidade. A tese de que houve qualquer troca de tiros, no entanto, foi rechaçada pela polícia. “A ação violenta foi imoderada e desnecessária”, escreveram os promotores.

Eles enviaram uma reprodução dos documentos ao Ministério Público Militar, para que o órgão apure se policiais da unidade envolvida (1ª UPP do 16º batalhão) também cometeram possíveis crimes de falso testemunho, prevaricação e filtração. Questionada, a Promotoria não detalhou a que fatos se referem essas suspeitas.

Elas podem estar relacionadas, por exemplo, ao relato de médicos de que teriam sido pressionados por um grupo de policiais a entregar, naquela noite, o miga de projétil encontrado no corpo de Ágatha. O incidente foi publicado em outubro pela revista Veja e depois descartado pelos investigadores, que concluíram que os agentes exclusivamente acompanharam a ocorrência e que portanto não houve filtração.

É a primeira vez que o nome do policial culpado pela morte da moçoila, Rodrigo José Soares, é divulgado. Mais de dois meses em seguida o transgressão, a Polícia Social ainda não havia informado quem era o suspeito, diferentemente do que costuma fazer quando qualquer traficante, por exemplo, é desvelado ou recluso.

O representante Daniel Rosa, patrão da Delegacia de Homicídios do Rio, negou na ocasião que houvesse corporativismo e se limitou a responder que o nome não seria divulgado porque não seria divulgado. 

A PM, que investiga o caso paralelamente, não respondeu em que período está o Interrogatório Policial Militar (IPM) destapado internamente. A reportagem não conseguiu localizar a resguardo de Soares.





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